Entre Adão, Símios e Murídeos… De Onde Viemos e Para Onde Vamos?

Uma conversa, um diálogo onde podemos tirar algumas dúvidas ou aumenta-las (???)

O fruto edificante de um recente diálogo que tive com um grande amigo… (refletindo sobre a vida e sua origem)

Deus precisa de alguém que o fique glorificando? Ou de alguma coisa que o faça? Por vaidade? Ou narcisismo? Não estamos pura e simplesmente trazendo a lógica limitada humana pra tentar entender Deus?

Não! Deus não precisa, mas criou o homem para o louvor de sua glória! E sabemos como louvar a nosso criador? Como louva-lo? Fazemos mesmo isto? Se Ele me criou para tal fim, qual a maneira certa de fazer isto? Eu não poderia dizer que tenho a resposta certa, mas a que tenho é a que vivo… Eu (nós como gênero humano), louvamos a Deus em nosso modo singular e plural de viver. Desfrutando de nossa humanidade intensamente. Gozando com limites os prazeres da vida. Amando a nosso próximo. Ajudando-o, respeitando-o, sendo um com meu esposo, sendo de fato uma mãe… Enfim, louvamos a Deus nas mínimas coisas e nos pequenos detalhes da vida! Até nos momentos mais difíceis louvamos a Deus sabendo como atravessar e transpor estes momentos.  A vida se vive em louvor a nosso criador (mas a igreja ainda não sabe disto rsrs). É assim que penso: devemos emprestar significados a cada momento da vida, cada abraço, cada beijo, cada relação sexual, (rsrs), em cada gesto, em cada, em cada… Fazendo de cada momento um momento único que não voltará de novo…

Deus é absolutamente ilógico, e só na loucura da fé podemos admiti-lo. Porque conhecemos dimensões de nosso mundo, de nossa natureza. E, nessas dimensões, a irracionalidade do infinito não é presente. O conceito de desde sempre é ilógico, incompreensível. Imaginar possível conhecer a natureza de deus por nossa lógica sempre se baseará em sofismas e esbarrará no inexplicável da pergunta: e antes, e antes, e antes. O antes e o depois são inexplicáveis para nós, condicionados a início e fim, em nossas dimensões.
Hoje temos elementos suficientes para assegurar que o mundo têm milhões (ou bilhões) de anos solares e que durará outro tanto, até ser incorporado e absorvido pela morte solar. Isso é incontestável, geologicamente comprovado, arqueologicamente também. A presença humana é registrada há mais de 40 mil anos, uma mísera fração de tempo geológico terrestre. Um cocô de mosca. Também comprovadamente, não há um tronco comum, pois as egressões de DNA podem assegurar isso. A evolução humana também não pode ser contestada, como o geocentrismo também não resistiu. Então, a dúvida. Porque se insiste nas figuras míticas e simbólicas de adão e Eva?

Com certeza! Adão e Eva para mim não passa de parábolas, uma tentativa do homem de explicar nossa criação. Assim também como não creio na existência histórica de Jó e também não acredito na historicidade do livro de Jonas, a Bíblia está cheia de parábolas e uma delas é a criação descrita em Gênesis. Para mim houve sim uma incontestável evolução do ser humano, mas veja, não alio a isto uma espécie como, por exemplo, o macaco ou o rato, pois, nosso DNA assemelha-se mais com o de rato do que com o de macaco! srsr  as figuras simbólicas de Adão e Eva, veio exatamente da necessidade que nos é inerente, de sabermos de onde viemos e para onde iremos… perguntas… e mais   perguntas tentando explicar a nós mesmos os porquês, como, quando!
E, se não houve um Adão histórico, não houve uma queda histórica, assim também como não houve a serpente. Então de onde viria o pecado? Não seria o fato que em nosso livre arbítrio escolhemos o que era mal ao invés do que era bom? Fazendo assim necessário Deus se esvaziar dele mesmo, fazendo-se humano para nos mostrar como seria ou é a forma que Ele quer que vivamos?

E o big bang? Os ruídos eletromagnéticos estão aí cabalmente comprovados. O número de Planck também. O que é maravilhoso, numa seqüência tão precisa que pequeníssimas variações implicariam na impossibilidade de criação do universo. Isso tudo sabemos. As partículas ainda buscadas, mas que serão encontradas em algum momento no campo da física quântica, como o bóson de higgs, por exemplo, trazem e trarão cada vez mais luz e explicações a um universo que sabemos ser finito, mas em expansão. Se é finito, o que há depois? Outro universo? E entre eles?
Tudo isso, por maiores que sejam as evidências físicas, nos manterão sempre vivas as perguntas antes e depois. Porque somos limitados em nossas dimensões.
Se não alcançamos essas explicações – a própria dimensão tempo nos dá nós na cabeça ao imaginar os buracos de minhoca (wormhole), como pensar em logificar Deus? Nisso eu vejo a grande falha gnóstica, em tentar a compreensão do que chamam cristo interno.

Este tema me fascina e assim que possível eu gostaria de discutir com você mais sobre ele, pois eu creio que este big bang foi o “haja luz”! Penso que a ciência e a teologia andam de mãos dadas e não em sentidos opostos. E é sim finito este universo e ainda há um longo caminho a percorrer até que se chegue este fim! E o que há depois? Nossa alma não voltaria a sua origem, esta Luz? (será?) Nossas limitações em saber e compreender isto sempre e sempre irá nos rondar… Até que se chegue o fim…E SE NADA VIER DEPOIS?

E mais, se cremos que Deus pode fazer tudo, pode também fazer outros deuses? Quantos? Infinitos?
Se Deus é infinito, esses deuses criados seriam também ele, dado sua infinitude?
Ora, com certeza há dimensões que não alcançamos.

Deus sendo onipotente poderia fazer uma pedra tão pesada que Ele mesmo não pudesse pegar?
Deus não poderia ir contra sua natureza! Portanto, não criaria outros deuses ou semideuses, ou uma pedra que ele mesmo não pudesse pegar…

Imagina uma nuvem. É formada de água, em natureza não líquida, mas água. Imagina seja ela a única fonte de água pura. Mas as nuvens não são somente água. Nelas também há ar, poeiras, outros elementos.
Essa nuvem chove. Condensa-se em gotas que se precipitam à matéria concreta, com determinados fins. Cada gota, de per si, tem um corpo físico, delimitado pela tensão superficial. Circunscreve-se.
Viaja da nuvem a terra. Ao chegar, deixa de ser a gota. Funde-se a outras gotas, forma os arroios, regatos, rios. Cumprem sua missão no conjunto, mantendo sua natureza original de água. Evaporam na substância original – água – e voltam à nuvem, fonte de todas as águas.
Vamos a nós. Temos nossa natureza divina vinculada a um corpo físico. Nessa natureza, a divindade e outras substâncias que turvam a própria água. Vivemos nossa vida, uma viagem com início e fim. Cumprimos nosso papel de depuração das impurezas e retornamos à fonte, a Deus.
E Jesus, mais próximo a nós. E outros iluminados também? Possivelmente essa natureza divina neles fosse o próprio Deus, a água da nuvem sem impurezas. Como forma de dizer às gotas – a todas elas – a forma de retornarem à nuvem – a Deus – sem as impurezas e assim purificarem o todo, retirando e filtrando as desarmonias ou impurezas que conspurcam a água vaporizada, fonte de todas as águas. Ou Deus, fonte de todas as vidas.
Sei que é viagem, mas tão explicável quanto qualquer outro assunto inexplicável.
O fato é que não quero explicar Deus. Apenas quero confiar, crer que Ele existe. Não me interessa sua natureza, mas creio que faço parte dele, dele vim, a ele voltarei. Isso não é nenhuma teoria reencarnacionista, nem de penalizações, culpas, expiações. Sou somente um instrumento, enquanto personificado, do todo. Vivo, na vida terrestre, sou uma gota. Fora dela, sou apenas água, não uma molécula de água. E sou não sendo. Como os componentes de uma molécula de água compõem-se não em água, mas no todo.
Eu não sou. Mas Eu Sou o que Sou.

Theolangando, dialogando, filosofando…

Anja e Frega Jr.


Anja_Arcanja


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