Como afastar os sintomas da síndrome de Elias através do Desabafo
O desabafo que publicamos no blog (veja aqui) enseja ainda algumas considerações.
Em primeiro lugar, trata-se de manifestação espontânea, que não partiu de nenhum “subordinado” de qualquer igreja por insatisfação pessoal com os seus líderes. O irmão, a quem conhecemos bem, é músico, toca na orquestra, nutre boas relações com os seus pastores e, como qualquer outro em comunhão, vive a vida cristã de uma forma que podemos definir como intensa. Ou seja, o desabafo não partiu de um “rebelde”, um “recalcado”, que não se submete à liderança pastoral.
Em segundo lugar, como podemos perceber em nossas andanças pelo país, o desabafo reflete a média do pensamento de milhares de crentes não só das Assembleias de Deus, mas também de outras denominações. É patente o sentimento de frustração, tristeza, amargura, pelos descaminhos de muitos líderes (sem generalizar, é óbvio) para os quais vale com todas as letras os mesmos juízos lançados por Deus sobre os pastores de Israel. Veja aqui. Mas, infelizmente, alguns preferem tapar os olhos e não enxergarem. O oba-oba dos grandes movimentos lhes dá a sensação de que tudo vai bem, quando, na verdade, as coisas estão indo mal.
Em terceiro lugar, não só o desabafo aqui publicado, mas o que também vimos com os próprios olhos (desculpem o pleonasmo) podem levar-nos ao equívoco de acreditar que tudo está perdido, que estamos sem luz no fim do túnel ou num beco sem saída. A síndrome de Elias acaba por assaltar-nos o coração e fugimos para a caverna com o viés da solidão a permear os nossos pensamentos, como se fôssemos os heróis solitários da resistência. O resultado disso é que nos tornamos lamuriantes ao invés de propositivos.
No entanto, de nossa parte, esse desabafo, como tantos outros parecidos, é visto de forma positiva e como um broto de esperança em meio ao deserto no qual muitas vezes nos sentimos. É um grito que nos alerta para perceber que, tal qual como Deus disse a Elias, “te será muito longo o caminho”, ou seja, ainda há muito o que fazer. O trabalho não terminou, a tarefa está incompleta. Com essa percepção em mente, consideremos, ainda, mais alguns pontos:
Primeiro, o desabafo nos revela que não estamos solitários em nossa forma de enxergar o status quo. Talvez esta seja uma maneira de o Senhor nos mostrar, como fez com o profeta, que há outros “sete mil” que não se curvaram diante das ameaças que pairavam sobre Israel. Enquanto Elias estava na caverna sendo tratado por Deus, os demais estavam firmes em seus postos, acreditando na salvação que viria de Jeová. Para nós, o sentimento que perpassa a média dos cristãos assembleianos pode ser o sinal de “grandes chuvas” sobre a nossa CGADB.
Segundo, o desabafo também mostra que, se quisermos, sob a orientação de Deus, podemos agir, pois há milhares de crentes que intercedem diante do trono da graça para que os rumos das Assembleias de Deus no Brasil sejam aplainados e os muros reconstruídos. Amados pastores que oram e lutam por essas mudanças: não estamos solitários! Há um exército que nos dá cobertura espiritual para seguirmos em frente. Não se sintam intimidados. Não façam da caverna um esconderijo. Venham para as ruas e vamos clamar pela justiça que vem do Senhor! Participem com as suas postagens, comentem e reverberem entre os seus pares que podemos viver um novo tempo de refrigério em nossa amada Assembleia de Deus. Sugiram propostas que a Terceira Via possa encampar e tornar parte de seu programa para a CGADB. É um esforço que soma em favor do Reino.
Terceiro, o desabafo também nos adverte que não podemos fazer ouvidos moucos ao clamor dos nossos irmãos. Eles contam conosco. Eles acreditam em nós. Eles nos veem como referenciais. Vamos frustrá-los? Vamos abandoná-los por estarmos aprisionados ao sistema? Como temos dito desde o início, essa batalha não se ganha com discurso, lamúria, murmuração, ofensas ou contenda. Ganha-se, sobretudo, através da oração. Por este motivo, nosso próximo passo, no mês de dezembro, como já aqui anunciado, será disponibilizar o formulário para aqueles que desejarem inscrever-se no Movimento de Oração em favor das Assembleias de Deus e da CGADB. Estamos em fase de testes e tão logo o programa esteja finalizado todos terão a oportunidade de formalmente ombrear-se conosco na intercessão diante de Deus.
Venha. Não deixe que a síndrome de Elias abarque o seu coração. Seja parte dos “sete mil” que não se curvaram diante do quadro que estamos vivendo.
Retirado do 3º Via CGADB












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